CENTIMFE e Makino promovem webinar sobre Fabrico Aditivo e Gestão Térmica em Moldes
O CENTIMFE, em parceria com a Makino (Singapura), promove um cicl (...)
14 Abril 2026
30 Março 2022
“Valorizar um produto nacional - a folha de pinho” enquanto se procura dar resposta à procura de sectores industriais, como o automóvel por “novos produtos para segmentos de mercado mais exclusivos, valorizando o acabamento de peças interiores” e criar produtos “cada vez com maior consciencialização ambiental e personalização”. Estes são os principais objetivos do projeto ‘WoodShape 4.0’ – Moldes Inteligentes de Injeção em Revestimentos de Madeira Auxiliados por Sistemas Automáticos - que, em traços gerais, adiciona a madeira como um novo material a ser utilizado na indústria de moldes e plásticos.
Com um investimento total elegível de mais de 990 mil euros, o projeto foi desenvolvido entre outubro de 2018 e março de 2022, por um consórcio, liderado pela TJ Moldes, envolvendo ainda as empresas Valco, Plásticos Batista e Makertech, o Politécnico de Leiria e a Universidade de Coimbra, e ainda o Centro de Inovação e Competências SerQ, sendo financiado pelo Compete 2020 e pelo Portugal 2020.
A apresentação de resultados teve lugar no dia 29 de março, nas instalações do CDRSP (Politécnico de Leiria), na Marinha Grande. Na ocasião, Florindo Gaspar, do Politécnico de Leiria, salientou que, a partir da valorização do pinheiro-bravo que existe em abundância no nosso país, o projeto teve como ambição o desenvolvimento de tecnologias de injeção sobre a folha de madeira, num processo automatizado no âmbito do que preconiza a ‘Indústria 4.0’. Com isto, “alcançou-se uma ligação muito interessante entre indústrias que, normalmente, não estão muito associadas: a madeira e os moldes”, sublinhou. Os resultados finais, disse ainda, foram bastante satisfatórios.
Nânci Alves, Francisco Diz, Liliana Gouveia e Diana Duarte, da TJ Moldes, deram nota do desenvolvimento do projeto que classificaram como “muito desafiante”. Desde logo, adiantou Nânci Alves, pela possibilidade de aplicações. Para além do automóvel, esta conjugação de materiais pode ser apelativa para as indústrias dos eletrodomésticos ou da decoração, entre outras.
Injeção sobre madeira
Este grupo de profissionais da empresa líder do consórcio explicou ainda como foi feita a seleção e classificação da madeira, aos algoritmos de reconhecimento e visão computacional que permitiram criar um sistema automático de produção, que resultou no molde protótipo.
A forma de trabalhar produtos diferentes, consideraram Francisco Diz e Liliana Gouveia, “consiste na injeção de um polímero sobre outro tipo de material”, sendo “um processo bastante comum na indústria de moldes”. Através de novas e inovadoras técnicas, totalmente automatizadas, recorre à tecnologia de conformação da madeira e do overmoulding e pretende “fazer injeção sobre a folha de madeira conformada”.
Diana Duarte explicou que este projeto criou algumas vantagens como a aquisição de know-how muito especializado, permitiu encontrar um material ecológico para a indústria de moldes, a redução de timings, possibilitou responder a alguns desafios de clientes que procuram designs cada vez mais arrojados e atrativos e ainda o desenvolvimento de tecnologias mais amigas do ambiente. No entanto, salientou, um dos desafios que o projeto ainda tem é encontrar uma abordagem à reciclagem da peça final.
O ‘WoodShape 4.0’ pretende o desenvolvimento de produtos novos, com elevado valor acrescentado, melhorando as características e as propriedades dos materiais e dos processos, sintetizou, revelando que o projeto vai ser apresentado, já a partir de abril, em feiras, aos fabricantes do sector automóvel e de outras indústrias.