CENTIMFE e Makino promovem webinar sobre Fabrico Aditivo e Gestão Térmica em Moldes
O CENTIMFE, em parceria com a Makino (Singapura), promove um cicl (...)
14 Abril 2026
12 Dezembro 2023
Apesar da prioridade que, de forma transversal, está a ser colocada em todas as áreas industriais, Hugo Pinto, da JDD, defende que a “decisão sobre o aço verde não está, neste momento, em cima da mesa”. Ainda por cima, acrescenta, a decisão sobre o tipo de aço a utilizar no molde é feita, maioritariamente, pelo cliente.
“O cliente tem todo o poder de decisão sobre o tipo de aço a utilizar, e neste momento não coloca objeções na origem do mesmo”. Considerando que a possibilidade de ecologia nos aços não venha a ser colocada a curto prazo.
Defende que a questão do ‘aço verde’ vai centrar-se “mais no modo de fabrico do aço e não tanto no aço propriamente dito”. Ou seja, no recurso a energias mais ecológicas para assegurar esse fabrico. Contudo, adverte, “se tivermos em conta que o maior produtor de aço está na Ásia, chegamos rapidamente à conclusão que dificilmente se preocupará, nos próximos tempos, com as questões ambientais que, hoje, já preocupam a Europa”.
Enfatiza que, “quando o maior produtor do mundo não tem regras, dificilmente se conseguirá introduzir uma mudança”. De qualquer forma, ressalva, “é muito importante que se faça investigação e se aposte no aço mais amigo do ambiente”. Menciona também que a “Comissão Europeia, que se preocupa tanto com as questões ecológicas, deveria apoiar os fabricantes de aço europeus, de forma a evitar a dependência em relação ao resto do mundo e, assim, reduzir toda a pegada ecológica e emissão de CO2 que provoca com a circulação de transportes de aço vindo de todo o mundo.
NOVAS LIGAS
Recorda que a investigação, nos últimos anos, tem resultado em melhorias nos aços, asseguradas por novas ligas que, por sua vez, asseguram melhores resultados.
Entende que a escolha deste tipo de aços reforçados pode ser uma mais-valia para quem fabrica moldes. Exemplifica com o caso dos moldes para as indústrias médica e alimentar. No entanto, defende, “essa informação sobre as potencialidades das novas ligas nem sempre chegam ao cliente e, na maior parte das vezes, não conseguimos convencê-los das vantagens devido ao seu custo mais elevado”. Por isso, considera que “a utilização desses aços só se tornará mais frequente quando o preço for mais acessível”.
No caso da indústria de moldes, explica, a ligação com os fornecedores de aço é de grande proximidade, considerando, até, que essas empresas “têm uma grande preocupação em manter os fabricantes informados sobre as inovações”. As formações, diz, acontecem com muita regularidade. “Nós, fabricantes, estamos bem informados, sabemos o que poderíamos escolher, mas depois temos de nos cingir à vontade do cliente”, salienta.
No seu entender, esta situação dificilmente mudará. Até porque “o cliente está hoje, muito centrado no preço, naquilo que vai pagar, e estamos a falar de diferenças, em muitos casos, muito significativas”.
A única exceção a esta regra que diz já notar prende-se com o fabrico aditivo. “Existe o interesse dos clientes, porque já veem vantagem na sua utilização e estão cientes dos custos”, explica.
O aço, no seu ponto de vista, não é dos piores amigos do ambiente. Até porque é sempre reaproveitado e regressa à cadeia de valor. “O ideal seria conseguir uma solução que permitisse que o seu fabrico envolvesse mais energias renováveis, que se continuassem a desenvolver soluções que melhorassem ainda mais a eficiência – até porque estão a surgir novos materiais na injeção - e tudo isto a um preço competitivo”, defende.
Um dos passos que acredita que poderia ser dado atualmente, passa por “reduzir a dependência da Ásia e apostar, efetivamente, na reindustrialização da Europa”.