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Opinião

Indústria de moldes: Uma indústria de oportunidades

30 Maio 2022

Acabada a licenciatura, Ana Santos escolheu a indústria para realizar o estágio. O destino quis que fosse uma empresa da indústria de moldes, numa altura em que as máquinas de controlo mecânico começavam a chegar às fábricas.


Foi em 1988 que entrou na produção, dando de caras com um ambiente exclusivamente masculino. Finda a surpresa inicial com que foi olhada a sua entrada, rapidamente passou a integrar o grupo, conta. Curiosamente, a surpresa foi apenas do lado masculino. Ana Santos estava já habituada a ser a única mulher, uma vez que essa foi a sua realidade durante todo o curso, numa área que era então associada aos homens: a indústria.


Já no estágio, “o trabalho era com máquinas convencionais. Comecei, de raiz, a pôr as CNC a funcionar”, recorda, sublinhando ter contado, de imediato, com o apoio dos colegas. “Lembro-me de, durante muito tempo, ser a única mulher nas reuniões até porque, então, não havia muitas pessoas a falar línguas estrangeiras e sempre tive facilidade em fazê-lo. Era desafiante”, relata.


Com o apoio da equipa, adianta, “fui criando uma base técnica e fui ‘formatada’ para ter a certeza do que fazia, de forma a contribuir para o objetivo de alcançar uma indústria sem erros. Por isso, perguntava sempre quando tinha dúvidas e procurava ter o máximo rigor no que fazia”. E, sustenta, “estava rodeada por pessoas fantásticas que me ajudaram a progredir”.


Algum tempo depois, já na década de 1990, foi convidada a integrar a Moldit. “Era uma empresa recente e foi-me dada a oportunidade para continuar a aperfeiçoar o trabalho”, conta, frisando que, quando chegou, havia uma mulher na produção: era ferramenteira.


À medida que o tempo foi passando, outras mulheres ingressaram na produção, na área da qualidade, na gestão de projeto e no polimento. No seu entender, a entrada das mulheres contribui para um ambiente mais equilibrado e salutar nas empresas. “Hoje, temos mais mulheres e em vários cargos. Por exemplo, dos quatro chefes de projeto, três são mulheres”, conta.


Olhando para trás e ponderando o percurso que a trouxe aos dias de hoje, Ana Santos assegura não ter sentido qualquer tipo de tratamento diferente por ser mulher. “Sempre tive oportunidade de ir fazendo o meu trabalho e ascendendo profissionalmente. E sempre me senti integrada”, explica, enfatizando que “apesar de, nesta indústria, o ambiente continuar a ser muito masculino, as mulheres integram-se com facilidade”.



EQUILÍBRIO

A dificuldade que diz ter sentido, por vezes, foi o equilíbrio entre a vida profissional e familiar. “Uma coisa que ainda não mudou é que as mulheres são muito mais pressionadas a liderar a parte familiar. Por isso, há aspetos de progressão na carreira que colidem com essa questão”, considera, defendendo que, contudo, “isso, apesar de se manter, já se notou muito mais e penso que tenderá a esbater-se com os anos”.


Para Ana Santos, é sobretudo pelo desconhecimento acerca da realidade da indústria que se mantém o número reduzido de mulheres em determinadas áreas da produção. “Se a indústria conseguisse dar-se a conhecer e as mulheres percebessem exatamente como é aliciante, elas viriam”, afirma, destacando que características do sector como “o ritmo alucinante, as novidades constantes e os desafios intensos são questões extremamente atrativas para as mulheres”.


“Acredito que não tenhamos conseguido, ainda, mostrar o que é a indústria de moldes”, sustenta. E, salienta, o sector tem vantagens em aumentar o número de mulheres porque, no seu entender, “são, de uma maneira geral, mais conciliadoras, mais metódicas e muito benéficas nas equipas”.


De qualquer forma, considera que nos últimos anos, as empresas alteraram a sua mentalidade e foram dando mais oportunidades às mulheres. “O género deixou de ser questão. Há mulheres e há homens, mas o que tende a ser valorizado é a forma como se posicionam no trabalho, pelo menos, para uma grande parte das empresas”, diz.