CENTIMFE e Makino promovem webinar sobre Fabrico Aditivo e Gestão Térmica em Moldes
O CENTIMFE, em parceria com a Makino (Singapura), promove um cicl (...)
14 Abril 2026
10 Abril 2023
Atualmente, o mundo industrial enfrenta desafios profundos: à imprevisibilidade operacional e crescentes exigências e flutuações da procura soma-se a emergência de novos fenómenos mundiais, que afetam decisivamente as economias e cadeias de valor a nível local. Em concreto, o elevado preço da energia e transportes, a vulnerabilidade da cadeia de abastecimento e a diminuição da procura já se fazem sentir e estão a impactar negativamente o desempenho do sector, sobretudo na Europa.
Mais do que nunca, perante estas novas e oscilantes condições do mercado, as empresas já não podem concentrar-se unicamente em produzir produtos de qualidade, a um preço competitivo e no prazo acordado. Nos dias de hoje, a sustentabilidade e crescimento das empresas exige:
• elevados níveis de produtividade e eficiência;
• flexibilidade e adaptabilidade face às permanentes mudanças;
• agilidade e proatividade na identificação de novos processos, tecnologias e produtos/serviços de valor acrescentado.
Neste sentido, as novas tecnologias da indústria 4.0 são o fator decisivo para dar resposta às elevadas exigências de rentabilidade e obtenção de um equilíbrio eficiente entre os parâmetros de preço, prazos e qualidade – através da integração de sistemas, assegurando o dado único e em tempo real, garantindo uma tomada de decisão rápida e com base em informação fidedigna e acionável e favorecendo uma estreita coordenação e comunicação entre todos os departamentos, para incremento da produtividade e inovação.
O sector industrial encontra-se num momento decisivo da sua evolução, dado que, se por um lado, existe a pressão de inovar, por outro, vivemos um contexto de plena instabilidade - em condições a que as indústrias de moldes e injeção de plásticos são particularmente vulneráveis.
Na sua génese, as indústrias de moldes e injeção de plásticos - e no geral a de produção por projetos – representam um sector que enfrenta enormes dificuldades no que diz respeito à gestão da globalidade do processo produtivo.
Nestas empresas, um molde pode ter centenas de componentes e, por sua vez, cada componente pode exigir várias operações; além disso, se considerarmos que existem simultaneamente vários moldes em produção, a complexidade dessa gestão aumenta exponencialmente.
Ou seja, gerir vários projetos em simultâneo, garantindo o controlo de custos, tempo e qualidade implica um planeamento rigoroso, que deixa pouca margem para ajustes ou alterações à medida que o projeto avança nas suas diferentes fases.
Não obstante, é habitual surgirem novos condicionalismos, influenciando o plano anteriormente definido. Pelo que é indispensável poder antecipar e reorganizar, escolhendo o melhor dos cenários disponíveis.
Em consequência, é comum estas empresas defrontarem-se com enormes problemas de ineficiências, custos elevados e perdas de competitividade.
E, para além de todos estes desafios característicos destas indústrias, a nova situação atual do mercado obriga à otimização máxima dos recursos envolvidos na cadeia de valor – um novo objetivo que vem pesar ainda mais a sobrecarregada agenda destas empresas.
Para que as empresas de moldes e injeção de plásticos sejam capazes de otimizar o seu processo produtivo, cumprir os prazos definidos e exigências de qualidade dos seus clientes, dando resposta aos novos desafios de mercado e conseguindo melhorar os seus resultados é necessária uma gestão avançada dos projetos – incluindo: orçamentação, produção, encomendas, planeamento, faturação, compras, qualidade ou mesmo manutenção – para uma correta gestão de toda a informação de fabrico.
De facto, mais do que nunca, as cadeias de valor dos diferentes intervenientes estão interligadas e a adoção de tecnologias 4.0 trará enormes vantagens competitivas - não só quanto à eficiência da globalidade do processo produtivo, bem como à capacidade de resposta à informação real disponível.
Em concreto, numa empresa de moldes e injeção de plásticos coexistem diversos recursos com interação conjunta, nomeadamente: matérias-primas, recursos humanos de diferentes qualificações, subcontratações, máquinas convencionais e máquinas CNC, podendo cada um seguir horários e calendários diferentes de disponibilidade.
Assim, torna-se imperativo que o sistema de planeamento possa analisar estas disponibilidades e, de acordo com determinados parâmetros, otimizar esses recursos ao longo do ano.
Desta maneira, é necessária uma solução integrada que permita uma visão do planeamento a longo prazo ou “macroplaneamento” e, igualmente, com capacidade de ajuste diário e por secção desse mesmo planeamento ou o denominado “microplaneamento”.
Isto é, planear a curto e a longo prazo de uma forma altamente flexível, gerando automaticamente as ordens de fabrico, as propostas de compra e subcontratação necessária para dar resposta à procura prevista, permitindo:
• poupança de tempo no cálculo de ordens de fabrico, compras e subcontratação;
• redução de paragens por falta de materiais;
• cálculo de necessidades de compra e fabrico em quantidade e prazo;
• análise de disponibilidades e necessidades ao longo do tempo e não apenas para o momento atual e com diferentes prioridades;
• notificações em tempo real de situações fora do planeado;
• gestão eficiente de recursos, otimizando as máquinas nos períodos noturnos e fins de semana, nos quais podem trabalhar de forma automática;
• cenários de simulação de planeamento de carga de máquinas e de materiais;
• criação, manutenção e sincronização de diferentes calendários e turnos.
Por outro lado, será essencial que este sistema permita o planeamento automático de acordo com a disponibilidade finita de recursos, com benefícios ao nível de:
• planeamento de todos os recursos que intervêm nas ordens de fabrico, projetos e manutenção;
• visualização da dependência entre tarefas, carga dos recursos e tempos livres;
• flexibilidade no tratamento das tarefas;
• apoio na decisão de quando se deve subcontratar para cumprir prazos ou aliviar a saturação dos recursos.
Para que seja possível dar resposta a todas estas necessidades e suportar o planeamento da indústria de moldes, a solução tecnológica adotada deverá reunir determinados requisitos específicos.
Em primeiro lugar, o sistema deverá ter a capacidade de descrever os processos de fabrico e de compra de forma completa; e, além disso, permitir gerir tarefas de projeto, que integrem esses processos de fabrico e de compra, em atividades sincronizadas e bem geridas.
Com a descrição desses processos de fabrico e com os dados relativos aos recursos, calendários e ferramentas, o sistema deverá ser capaz de planear de forma automática as tarefas inerentes a cada elemento do molde, a partir da data de entrega teórica.
Para estabelecer cada uma das datas de entrega teóricas, esta tecnologia tem de ter a capacidade de criar “cenários” a partir da carga existente de encomendas e estimar, com alguma precisão, a data de entrega da nova encomenda - servindo essa data para alimentar o planeamento com a nova encomenda.
O conceito de “cenários” é também uma ferramenta importante de apoio à fase de orçamentação, pois irá estimar uma data de entrega aproximada, considerando a carga já contratada de produção.
A partir da informação introduzida, o sistema está preparado para efetuar o chamado “macroplaneamento” e irá otimizar os recursos, considerando todas as condições indicadas à partida, nomeadamente: calendários, subcontratações, tempos de preparação e execução, agrupamento de componentes que podem ser realizados numa única operação (por exemplo: a fresagem de elétrodos para diversos moldes), ferramentas, compras.
Neste processo de macroplaneamento, o sistema terá de atender a operações que apenas necessitam de recursos humanos para a sua preparação, podendo depois trabalhar de forma autónoma durante a noite e fins de semana.
A partir da distribuição do resultado do macroplaneamento pelas diversas secções, entramos no “microplaneamento”, ou seja, no ajuste do planeamento geral às condições específicas, no tempo, para cada secção. Desta forma, as alterações efetuadas nas secções irão criar uma nova priorização do planeamento, que, ao ser novamente calculado, irá responder com as novas condições indicadas e gerar, assim, um novo macroplaneamento.
Assim sendo, a gestão eficiente de todo o processo produtivo e otimização máxima dos recursos exige que as empresas invistam em soluções informáticas que auxiliem os colaboradores no seu trabalho, para que sejam capazes de:
• obter a máxima rentabilidade das suas máquinas;
• reduzir os seus custos de produção;
• ter um controlo rigoroso e em tempo real do seu planeamento e fabrico de moldes, para reagir a desvios - de tempo e custos – e garantir prazos de entrega;
• aumentar os ganhos e alavancar a competitividade dos seus negócios.
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Texto: João Ribeiro (Diretor-geral da Ibermática — Divisão Smart Factory & OT [Portugal])