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FORUM TECH-i9: Planear a sucessão é dos passos mais importantes da gestão

09 Julho 2021

“Passar o testemunho é o último grande teste de um líder, enquanto o planeamento da sucessão é o seu projeto final de carreira”. A convicção expressa por Catarina Caldeira, consultora, reflete a principal conclusão do webinar ‘Sucessão Empresarial vs Fusões e Aquisições’. Organizada pela CEFAMOL e realizada no dia 8 de julho, esta foi a última de um conjunto de três sessões, no âmbito do Fórum TECH-i9, centradas em questões de grande relevância para a indústria de moldes. Na plateia virtual tomaram lugar mais de sete dezenas de profissionais da indústria.


Catarina Caldeira, a oradora responsável pela contextualização do tema, centrou a sua intervenção, sobretudo, na realidade das empresas familiares. No entanto, advertiu que a questão da sucessão e as suas implicações, são transversais a todas a empresas. Assim sendo, é um processo que, no seu entender, tem de ser encarado de forma natural e planeado atempadamente para ter êxito e assegurar a continuidade e o sucesso das empresas.


Constatando o que na realidade acontece, explicou que este processo, apesar de “natural e crucial” é, na maior parte das vezes, “delicado”. Os fundadores tendem a adiar a decisão para mais tarde e acontece, muitas vezes, esta ter de acontecer “de forma abrupta” e sem a preparação devida dos sucessores. E, salientou, “a pessoa que entra tem de estar preparada para os muitos desafios que vai encontrar”.


Focando-se, depois, nas organizações familiares – que apelidou de ‘o filho económico’ – explicou que este é um processo de mudança e, como tal, atrai resistência. “A sucessão é um dos maiores desafios das empresas familiares e uma das principais causas de morte de algumas delas”, enfatizou.


É que, nestes casos, é preciso conseguir separar a gestão familiar da gestão empresarial. E isto nem sempre é fácil. Até porque os membros da família (pais, filhos, sobrinhos) são também funcionários, gestores, administradores. É, então, uma questão de gestão de emoções e, sobretudo, de diferenciação de papéis.


Sendo para uma única pessoa ou para várias, o desafio da sucessão passa sempre pelo alinhamento da família e pela confiança nos sucessores. Os acionistas têm de ir delegando, gradual, mas de forma determinada, para os sucessores. É preciso tempo para que isto aconteça com tranquilidade. Por isso, é um processo que requer planificação.



Tranquilidade

E depois de tudo isto acautelado, a sucessão vai sendo feita por etapas, desde a preparação dos sucessores à retirada dos líderes. Com isto, há melhor gestão das expectativas, seja de quem sai, seja de quem entra, para além de se assegurar uma maior garantia de continuidade e tranquilidade.


Para além desta preparação entre predecessor e sucessor, é importante, também, preparar a empresa para esta mudança, de forma a incutir confiança nos colaboradores e nas equipas. Neste aspeto, sublinhou, é muito importante que os sucessores mantenham a cultura da empresa.


Catarina Caldeira advertiu, ainda, para um outro facto: quando há sucessão, há uma eventual solução. Quando não há, a empresa pode ser adquirida total ou parcialmente, pode passar por um processo de fusão ou pode não fazer nada. E neste último caso, estará inevitavelmente condenada a não sobreviver.


Já na fase de debate, que teve como moderador Manuel Oliveira, secretário-geral da CEFAMOL, participaram as empresas Moldegama, Moldit e o grupo WeMold.


Andreia Fortes, da Moldegama, começou por explicar que a sua empresa está a passar pelo processo de sucessão. Considerou esta questão “crucial” para a continuidade das empresas, defendendo que “é preciso investir tempo e levar isto muito a sério: a bem da empresa, devem colocar-se os sentimentos de parte e focar-nos no bem comum”.


Já Nuno Silva, da Moldit, elucidando que o seu grupo empresarial é familiar, mas com gestão profissional, defendeu que a palavra-chave neste processo é o “planeamento”. A preparação atempada desse passo é, no seu entender, “determinante para o sucesso das empresas”.


Paulo Fatia, do grupo Wemold representou nesta sessão uma outra forma de sucessão: a partir da aquisição exterior, por terceiros. Para o sucesso de uma sucessão deste tipo considerou ser fundamental que o empresário tome consciência de que pretende sair. “Quando isto acontece, o resto decorre sem problemas de maior”, explicou.



Confiança

Questionados em relação aos desafios que se colocam numa sucessão, consideraram que estes estão muito ligados ao posicionamento do fundador e da forma como demonstra confiança nos sucessores.


Andreia Fortes salientou que, na maioria dos casos, o fundador é um líder carismático, forte, e tem tendência a procurar assegurar que essas características se mantenham no sucessor. É preciso, por isso, criar uma relação de confiança entre ambos, que seja transposta para o interior da empresa, mas também para o exterior, junto dos parceiros, dos fornecedores e dos clientes.


Nuno Silva acrescentou um outro desafio, lembrando que, muitas vezes, para além do carisma, o fundador é também o “detentor do negócio”. Isto, no seu entender, é notório na indústria de moldes, na qual as relações com clientes são, sobretudo, pessoais. Ora, defendeu, é “perigoso” que o líder saia sem acautelar que este testemunho, que considera vital, seja passado ao sucessor.


Paulo Fatia contou que, em muitos casos, os empresários permanecem nas empresas que são adquiridas, de forma a facilitar a transição. Adiantou que, sendo este um grupo, há uma linha comum que se procura criar, mas que se mantêm os bons exemplos enraizados em cada empresa. “Procuramos envolver as pessoas, alinhá-las e motivá-las”, sublinhou.


Antes do tema ‘Sucessão Empresarial’, os dois anteriores webinares do Fórum Tech-i9 refletiram sobre ‘Novos Modelos de Negócio’ e ‘Design for Manufacturing’. Foi notório o interesse da indústria, tendo participado, no conjunto das sessões, mais de duas centenas de profissionais do sector que, no decorrer das sessões, foram colocando questões e comentando as opiniões dos oradores.