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Gestão de Pessoas

Neckmolde: Primeiro as pessoas, depois os equipamentos

13 Outubro 2022

“Para inovar, as empresas têm de investir primeiro nas pessoas e só depois nos equipamentos”. A frase, repetida frequentemente pela indústria, continua, no entender de João Cruz, da Neckmolde, a sintetizar a ‘chave’ para o sucesso das empresas.


“A velocidade tecnológica é tão grande que, mais rapidamente do que no passado, as coisas tendem a tornar-se obsoletas e a velha máxima do ‘fazer como antigamente’ não se pode manter.


Até porque do antigamente pouco se mantém”, afirma, salientando que para acompanhar esta evolução “não basta comprar equipamentos: as tecnologias têm de ter em conta aquilo que as pessoas sabem e a inovação que têm. Caso contrário, de pouco servem”.


Exemplifica com uma das práticas da sua empresa. Na escolha de novos equipamentos, optam por sistemas similares aos que existem na empresa, porque já são conhecidos dos operadores. Além disso, em lugar de comprar, muitas vezes a opção é fazer upgrades nos equipamentos. “A nossa primeira máquina ainda hoje funciona”, salienta.


Já na seleção de pessoas, a empresa optou por nunca contratar ninguém para quadro superior. “Todos começam como aprendizes e vão progredindo na empresa” e, à medida que vão conquistando a confiança, a chefia vai delegando neles a responsabilidade.


Desta forma, diz, “temos exemplos de pessoas que conseguiram subir em quatro anos”.


O processo começa com operadores com tarefas mais simples que vão evoluindo e avançando para o desenvolvimento e a investigação. “Como conhecem todo o processo, sabem o que é preciso para melhorar e inovar”, sintetiza. E desta forma a empresa tem-se desenvolvido nos últimos 20 anos, conseguindo assegurar novas competências, mas também de novas chefias e liderança.



Motivação para criar

No plano da inovação, João Cruz explica que a empresa não tem dimensão e nem capacidade financeira para criar cargos relacionados apenas com investigação e tecnologias. “Os investimentos são bem ponderados”, conta. Mas isso não significa que não se façam alterações sempre que surge uma opção de inovação. “Todos nós somos parte da vida da empresa e temos a nossa opinião sobre o que poderia melhorar. Dessa forma, há sempre sugestões e vamos testando as opções e alterando quando isso se mostra positivo”, explica. Ou seja, as pessoas “são motivadas para criar”. Em conjunto, definem soluções, ideias, testam e avaliam.


A decisão de investir nesta autonomia parte da administração, mas é partilhada pela estrutura da empresa. “Todos sabem que somos uma empresa constantemente a mudar”, conta, explicando que “o nosso mercado é muito competitivo e precisamos de estar constantemente a pensar na satisfação dos nossos clientes, seja em preços, prazos e qualidade”.


Por isso, sustenta, “é fulcral que as nossas pessoas tenham sempre essas metas presentes e vão pensando, connosco, em opções de melhoria”. E se correr mal, adianta, “é possível aprender e mudar”.


Apesar de a equipa ser jovem (com uma média de idades de pouco mais de 30 anos), João Cruz considera que não é esse aspeto que define a vitalidade da empresa. “O espírito jovem tem de ser trabalhado”, defende, considerando que a partilha da decisão é fulcral para manter a equipa motivada e alinhada no espírito da inovação constante.


“Na nossa empresa, que é pequena (tem 32 colaboradores), as pessoas conseguem comunicar bem e há essa abertura para se falar das coisas”, explica, adiantando que “tentamos ser uma família”. O objetivo, sublinha, “é que a empresa cresça de forma sustentável”.



Atrair novas pessoas

Para João Cruz, um bom marketing da indústria, promovendo não apenas as tecnologias, mas também os trabalhos mais artesanais, e a componente social, é fundamental para atrair os jovens. Mas isto, por si só, não basta. “Temos de ter capacidade de ir acompanhando as pessoas à medida que entram, e todas de uma maneira geral, com formação, para que se sintam integradas e com vontade de fazer parte”, explica.


Na prática, conta, “as tarefas vão sendo supervisionadas e, quando as dominam, passam para outras e vão evoluindo assim”. Esta questão, explica, “tem sido cada vez mais trabalhada porque no início não conseguíamos fazer isto”.


Não tem dúvidas de que “grande parte dos resultados da empresa deve-se a esta aposta nas pessoas”. “As coisas existem porque existem pessoas, tudo o que se faz é para as pessoas e elas têm de estar no centro das prioridades”, considera.


Na Neckmolde, revela ainda, “mais de 75% da tecnologia que temos foi desenvolvida internamente”. No sector em que a empresa se integra, a quantidade de empresas a fazer o mesmo não é grande, por isso não existe muita oferta tecnológica. “Somos poucas empresas, por isso não compensa desenvolver tecnologia específica para a nossa indústria. O nosso processo tecnológico está desenvolvido e é difícil de alterar. Mas temos conseguido, internamente, introduzir melhorias muito significativas”, explica.