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Gestão de Pessoas

Liderar em tempos de incerteza

05 Abril 2023

O início do ano de 2022 trazia a esperança de reencontrar um caminho de alguma normalidade perdida com a crise pandémica de 2020. Janeiro foi o mês de esperança e esperávamos um ano de prosperidade e desenvolvimento. As campanhas de vacinação e o recuo da infeção fizeram-nos pensar que este seria o ano do regresso da normalidade perdida, seja lá isso o que for.


A 24 de fevereiro enterrámos essa esperança. O mundo olhou atónico para o avançar de uma guerra cruel e lamentável a todos os níveis. Com ela veio o aumento das incertezas e a constatação da fragilidade do projeto europeu e das democracias em geral.


As pessoas, cansadas de anos de pandemia, são novamente chamadas a uma luta pela sua segurança e bem-estar, sem forças para perceber as razões do agravamento constante das suas condições de vida. A incerteza e a incapacidade de lidar com o constante fluxo de informação negativa e, muitas vezes inflamada, fazem soar alarmes constantes nas pessoas. O efeito de todos estes fatores não será simples de perceber, até porque os efeitos e as causas distam no tempo o suficiente para que nunca sejam relacionados com clareza e pertinência.


As organizações terão de saber lidar com estes fenómenos em 2023, terão de saber lidar com as incertezas e com as pessoas que não conseguem lidar com as mesmas, cansadas de tentar perceber em que medida é que os seus esforços individuais têm resultados na sua vida profissional, pessoal e social.


A crise pandémica veio trazer para cima da mesa a necessidade de lidar com as pessoas em ambientes profissionais de forma mais humanizada. A guerra veio tornar esse fator um imperativo moral. Em 2023, as organizações terão de saber lidar com as suas pessoas de forma mais humana e orientada para o seu desenvolvimento.


Cabe às direções de topo das organizações perceber essa urgência e desenvolver ações que minimizem as consequências negativas das crises sucessivas que temos atravessado nos últimos anos.


Desenvolver políticas efetivas de Gestão de Pessoas, promover lideranças encorajadoras que potenciem as pessoas e que não as arrasem será o maior desafio dos próximos anos.


As empresas que não conseguirem desenvolver estes vetores terão cada vez maior dificuldade em sobreviver no mercado e garantir a sua sustentabilidade.


As palavras têm cada vez menos espaço de ação. É tempo de agir. É tempo de se olhar para o elemento diferenciador e esse será sempre o humano.


A ausência de políticas de desenvolvimento de pessoas nas organizações irá promover a sua saída e a dificuldade em manter colaboradores com potencial de crescimento e capacidade em fazer desenvolver qualquer tipo de negócio.


As crises tendem a criar seguidistas e pessoas que se remetem ao silêncio. Silêncio este gerado pelo medo, gerador de ambientes de trabalho hostis que promovem o individualismo e conformismo.


Nos próximos anos, precisamos de garantir que estamos a usar todo o potencial humano que temos disponível nas nossas organizações. Temos de o fazer, pois só assim conseguiremos agir num ambiente de incerteza constante. Precisamos de pessoas preparadas para enfrentar os desafios crescentes dos nossos tempos, que consigam resolver problemas complexos, que saibam interagir com eficácia, que se apoiem nas suas ações diárias e que, conjuntamente, façam crescer as pessoas que as rodeiam.


Este é o tempo de demonstrar que é necessário proceder a mudanças, mesmo que estas estejam sempre a acontecer e as pessoas estejam saturadas. É que esta é mesmo a maior normalidade dos nossos tempos.


Como afirma Tom Peters - trata das pessoas, elas tratam do negócio!



Texto: Artur Ferraz

Publicação: Revista Molde, 136