PIEP promove workshop sobre o papel da digitalização na transição para a economia circular
O PIEP e a Kistler, conscientes dos desafios atuais das empresas, (...)
02 Abril 2026
26 Julho 2022
O Pack2Life é um projeto de I&DT em co-promoção que envolve um consórcio de oito entidades, das quais quatro empresas – ITJ, RTJ, Quinta de Lamaçais e Cerfundão, e quatro entidades não empresariais do SI&I – Centimfe, Universidade do Minho, Universidade da Beira Interior e CATAA, que integram os clusters Engineering & Tooling e Inovcluster. O projeto teve início em setembro de 2018 e terminará em agosto de 2022.
ENQUADRAMENTO
O Pack2Life surge da necessidade de o mercado fornecer uma embalagem que permita estender a vida útil dos produtos acondicionados, face ao problema da perecibilidade dos frutos das prunóideas, e garantir a segurança alimentar através da rastreabilidade dos produtos ao longo da cadeia de frio.
Após a colheita, os frutos estão sujeitos a processos de respiração, transpiração e formação do etileno, que individual ou cumulativamente proporcionam amadurecimento rápido, diminuição das propriedades organoléticas e redução da qualidade, com principal destaque para as características nutricionais e diminuição do tempo de comercialização. Adicionalmente, sendo a cereja e o pêssego frutas de estação (primavera-verão), muito sensíveis e perecíveis, o seu tempo de comercialização é bastante curto sob pena de deterioração acentuada. A extensão da vida útil dos frutos na póscolheita é conseguida em grande parte pela utilização de refrigeração e pela adequada acomodação na embalagem.
É assim desenvolvida uma nova embalagem reutilizável, com um sistema de monitorização contínua integrado, que se adapta a diferentes condições de utilização (armazenamento e transporte), e que potencia o comércio sustentável de frutos no seu expoente máximo de qualidade.
Esta embalagem primária do tipo “vaivém” (sistema pooling) percorre toda a cadeia de abastecimento até ao comercializador final, onde é colocada em exposição para venda da fruta. Pode ser utilizada para transporte e comercialização da fruta em alvéolos (ex.: pêssego) ou para acomodar embalagens secundárias (ex.: cuvetes de cereja).
O desempenho da embalagem é potenciado pela aplicação de um novo alvéolo reutilizável com material de mudança de fase (PCM) no interior, desenvolvido no âmbito do projeto, que permite reduzir as oscilações de temperatura de conservação e atrasar o aumento da temperatura dos frutos quando a embalagem sai da câmara de frio e é colocada à temperatura ambiente.
NOVA EMBALAGEM DE ELEVADA PERFORMANCE
A embalagem é produzida num único e reduzido ciclo de produção, assegurando assim um preço competitivo. Para isso, utiliza-se a dobradiça integral como meio de união dos componentes da embalagem, em que uma parte muito fina do material polimérico une duas partes, atuando como uma junta flexível. Este sistema possibilita uma significativa redução de custos, nomeadamente, através da eliminação de tarefas adicionais (ex.: montagem), e da redução de potenciais problemas de qualidade (ex.: alinhamento).
O estudo das condições mais adequadas (dimensionamento e posicionamento) permite um aumento da resistência mecânica da embalagem e, consequentemente, da sua vida útil.
O recurso à dobradiça integral implica determinadas características no que concerne ao material da embalagem, de modo a ser uma solução funcional e sustentável. Deste modo, todo o processo de desenvolvimento da embalagem procurou dar resposta às exigências funcionais através da otimização da geometria e das condições de processamento, compreendendo a existência de uma certa limitação relativamente à seleção do material.
A escolha do material é um fator determinante na qualidade de uma dobradiça integral, uma vez que se pretende que a dobradiça suporte um elevado número de ciclos de flexão sem quebrar. Para além disso, o material da embalagem deve conciliar um bom desempenho com um reduzido impacto ambiental.
A embalagem reutilizável em polipropileno é vantajosa, tanto pela sua durabilidade como pela fácil higienização. Nas embalagens de cartão a concentração de humidade da fruta promove a sua rápida degradação, resultando numa embalagem de uso único, descartável após uma utilização. A embalagem plástica, para além de ser reutilizável, é 100% reciclável, o que não acontece com as embalagens de cartão devido à utilização de tintas e vernizes.