PIEP promove workshop sobre o papel da digitalização na transição para a economia circular
O PIEP e a Kistler, conscientes dos desafios atuais das empresas, (...)
02 Abril 2026
19 Julho 2023
Gerir o conhecimento das empresas passa por encontrar estratégias que consigam fazer com que as pessoas aprendam a aprender, mas também a partilhar o saber adquirido. Isto é crucial para reter o conhecimento nas empresas e, dessa forma, ganhar eficiência e assegurar o futuro.
É desta forma que Vasco Rosa Pires, da VR2P – Consultoria Estratégica, olha para a questão da gestão do conhecimento nas empresas. A ‘arma secreta’ são as pessoas. Por isso, as empresas precisam de começar a centrar nelas a sua atenção, da mesma forma que priorizam a produtividade. O mundo está em veloz mudança. E a concorrência não se verifica, como no passado, dentro do mesmo sector: é transversal. Por isso, é necessário incrementar a aposta na criação de condições de atração. E, nesse sentido, as empresas têm de valorizar os departamentos de Recursos Humanos.
Em muitos casos, já são hoje olhados como “muito mais” do que os braços direitos da contabilidade e do pagamento de salários. É que, destaca, “este é um departamento estratégico nas empresas”. E assim deve ser visto. Isto é, no seu entender, fundamental para conseguir definir uma estratégia de atração e retenção de talento. Mas também para dar um passo um pouco maior e encontrar fórmulas para conservar o conhecimento nas empresas.
“Manter as pessoas é essencial para conservar esse conhecimento. Mas elas não podem eternizar-se nas empresas, logo têm de encontrar-se soluções que assegurem que as pessoas partilham o seu conhecimento”, defende, considerando que, para isso, “têm de aprender a ensinar”.
Esse é apenas metade do processo. “As pessoas têm, também, de aprender a aprender”, esclarece.
Exemplificando com o seu caso, conta que, nos últimos dois anos, tem sentido um interesse grande, por parte das empresas, nesta questão das aprendizagens. E tem, até, aumentado o número de ações nesta área. Só que, depois e na prática, “os responsáveis de produção e os supervisores mantêm a sua prioridade focada em produzir e não valorizam outras questões”, explica.
No seu entender, há ainda um caminho a percorrer que está muito centrado na vontade dos líderes das organizações. “Tem de haver um plano definido, no qual esteja valorizada esta questão tal como está a produção”, considera, acentuando que “o presente é muito importante, mas acautelar o futuro é crucial”. Por isso, aconselha as empresas a definirem o seu caminho, criando planos que contemplem esta questão. “É preciso que se compreenda porque é que é importante para uma empresa ter as suas pessoas a ensinar, mas também a aprender”, salienta, considerando que, nos últimos anos, os conceitos de ensino e aprendizagem mudaram.
Hoje, é consensual a necessidade de aprendizagem constante e contínua, como única forma de acompanhar o acelerado desenvolvimento tecnológico e social. As escolas, lembra, têm um papel diferente do que tinham no passado. “Antigamente, íamos para a escola aprender com os professores. Eles detinham a sabedoria. Hoje, não é assim. É incutido aos jovens o sentimento de questionar o que lhes é dito, e é acentuado o seu papel de aportar desenvolvimento, através do conhecimento que têm em áreas nas quais outras gerações sentem dificuldades”, destaca, acentuando que essa realidade é semelhante ao percurso nas empresas.
“Havia profissionais que detinham a sabedoria e só a partilhavam a custo”, recorda, adiantando que, hoje, “a tecnologia está a contribuir para mudar isto e os jovens, quando chegam às empresas, também têm muito para ensinar a quem lá está”. Ou seja, as empresas hoje têm um ambiente marcado pela “transferência de conhecimento entre as várias gerações”. E é esta troca de experiências que enriquece as empresas.
“Tudo se resume, afinal, a uma melhor comunicação. E comunicar melhor é fundamental para criar empatia, influenciar os jovens a aprender, mas também a partilhar. É este ‘novo conhecimento’ que vai fazer a empresa andar para a frente e conseguir acompanhar os desenvolvimentos tecnológicos. Com isto, as equipas ganham dinâmica e evoluem”, defende. Mas, para que isto se concretize, adverte, “é essencial que os jovens que entram para a indústria se sintam acarinhados, é fulcral que quem está nas empresas sinta que o seu papel é importante, sob pena de desmotivar e sair”.
Acredita que o mercado vai falar por si, em relação a esta questão. O futuro das empresas, independentemente da sua dimensão ou área de negócio, reside nas pessoas. “Se as empresas não valorizarem estas questões, acabarão por ficar para trás: sem pessoas, não há empresas”. Por isso, sublinha, “é fundamental que criem estratégias para se tornarem atrativas para terem os melhores profissionais”.
A dificuldade, considera, “é que ainda há muitos empresários que não veem esta realidade e, possivelmente, quando decidirem agir, será demasiado tarde”. É que, enfatiza, “a verdade é que as empresas não treinaram as suas pessoas para criarem mais valor e, por isso, continuam, em muitos casos, como estavam há 20 ou 30 anos. Mas assim não serão competitivas”.
Por outro lado, considera também que o modelo de ensino “está a demorar a adaptar-se a estas questões e mantém-se quase inalterável nas últimas duas décadas”. “O que vemos é uma dificuldade enorme em passar o ensino para o lado dos computadores, das tecnologias ou do ensino à distância. E temos um problema grave, no meu entender, que é preparar os jovens para passar nos testes e não para aprenderem a aprender”, alerta, salientando que, na vida profissional, “nada do que fazem tem a ver com os testes, mas sim com a sua capacidade de aprender e de partilhar conhecimento”. Defende assim a necessidade de se rever o paradigma do conhecimento.
A questão das pessoas é o maior desafio que se coloca, neste momento às empresas. Mas o foco, adverte, parece estar muito centrado no ambiente. “As questões ambientais são, a meu ver, o menor dos problemas quando comparamos com outras. O ambiente é, naturalmente, uma preocupação que as empresas devem ter. Mas a sustentabilidade não se limita ao ambiente”, acentua, sublinhando que “as questões sociais têm um carácter muito importante. Antigamente, as empresas fixavam-se numa localidade e esta crescia em seu redor. É crucial que as empresas mantenham este seu papel de assegurar o crescimento da sociedade à sua volta”.