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Entrevista

Rui Rúben (Diretor do CDRSP): «Esperamos que as empresas nos coloquem desafios»

23 Maio 2024

O novo diretor do CDRSP, Rui Ruben, empossado em janeiro, destaca a importância da parceria com o tecido empresarial, como forma de desenvolver o centro e tornar a indústria mais forte. A ligação mais estreita com as startups é uma das prioridades que tem para o seu mandato.


Tomou posse no início deste ano. Quais as prioridades que elencou para este seu mandato?

Uma das prioridades será, nestes próximos tempos, o processo de avaliação do Centro de Investigação, que começou poucos dias antes da minha tomada de posse. Trata-se de um processo com alguma complexidade…


Qual a importância dessa avaliação para o centro?

É bastante importante, até porque dessa avaliação dependerão questões, como, por exemplo, o financiamento dos próximos três a quatro anos.


Mas o centro já passou por essa avaliação anteriormente…

Sim, já passou várias vezes por este processo. Mas este tem, burocraticamente, algum peso porque temos de mostrar aquilo que fizemos desde a última avaliação, bem como tudo o que estamos a preparar; ou seja, o nosso plano estratégico para os próximos quatro anos. O próprio orçamento para o Centro dependerá desta avaliação.


Neste momento, o que é o CDRSP: quantas pessoas tem, quais os principais projetos que está a desenvolver?

Começando pelos projetos, estamos, neste momento em cinco Agendas Mobilizadoras e num número idêntico de projetos FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia). Mas estes números vão variando, porque vamos integrando uns projetos, concluindo outros. E estamos também a preparar novos projetos.


E quanto à quantidade de pessoas que asseguram o trabalho do Centro?

Temos diferentes tipos de colaboração. Os membros integrados são, neste momento, 18. Estes membros integrados têm de ser doutorados - não quer dizer que alguns dos colaboradores não o sejam também - e com um curriculum mais relevante, digamos assim. São pessoas que trabalham no Politécnico de Leiria (IPL), docentes de várias áreas, desde a tecnologia, mecânica, matemática, etc. Temos também uma docente de fora do IPL, que é do Politécnico de Coimbra. E para além destes, ainda temos quatro investigadores. Depois, os colaboradores são todos os outros: podem ser estudantes de licenciatura, bolseiros. São, atualmente, cerca de 50. Mas este é também um número que sofre alteração, porque vamos tendo novas bolsas e novos contratos. Estes bolseiros são pessoas mais jovens.

A multidisciplinaridade da equipa é muito importante: pessoas diferentes, com conhecimentos distintos e maneiras de trabalhar diferentes ajudam a engrandecer o centro de investigação.


Foto: Rui Rúben


O Centro tem facilidade em conseguir encontrar bolseiros?

Não tem sido difícil, até pela nossa forte ligação à ESTG, aos alunos e ex-alunos. E aparecem também, nalguns concursos, pessoas de fora. E é sempre bom ter essa variedade geográfica também.


No plano de atividades que referiu estar em preparação, qual o papel reservado às empresas?

O CDRSP existe para apoiar as empresas. Só dessa forma faz sentido a sua atividade, por isso espero a continuação da excelente ligação que temos tido sempre com o tecido empresarial. É uma relação de reciprocidade: nós ajudamos as empresas, mas elas também nos ajudam, ao colocar-nos as suas necessidades e lançarem-nos desafios. Um dos objetivos que temos é alargar esta ligação, para além das empresas, também aos hospitais e centros de saúde da região, reforçando a aposta em áreas como a biomédica e a saúde. Para nós, o importante é trabalhar com um objetivo que não seja apenas para preenchimento de papéis ou cumprimento de metas: queremos ser um parceiro relevante.


O CDRSP já tem um histórico de parceria com o tecido industrial. Como é que acha que as empresas olham para este centro?

Espero que nos olhem como parceiro. Pelo acompanhamento que fui fazendo, mais ou menos próximo, penso que a ligação com as empresas é boa, de um modo geral. Por exemplo, na tomada de posse, senti esse reconhecimento ao ver que estavam presentes muitos empresários e representantes de associações empresariais. Isso mostra que as pessoas estão interessadas em continuar ligadas ao CDRSP. Depois, a maior parte dos projetos tem tido, sempre, uma forte presença das empresas. Estamos a preparar o novo programa e já há alguns projetos com empresas. Isso é demonstrativo da ligação que existe e que queremos manter e até, se possível, intensificar.


Atualmente, a questão da sustentabilidade coloca enormes desafios às empresas. Neste âmbito mais específico, o que podem as empresas encontrar no CDRSP?

Um parceiro para as ajudar a encontrar soluções para os desafios que se colocam. Estas parcerias são muito importantes. Esperamos que as empresas nos coloquem desafios. Temos de conversar entre todos para chegar à melhor solução de como encarar cada desafio. No nosso caso, temos a palavra ‘sustentável’ no nome do Centro, o que mostra quanto o CDRSP valoriza, desde sempre, essa questão. E aí o mérito terá de ser atribuído ao seu fundador, o professor Paulo Bártolo, que já em 2007 – ainda não se falava muito disso – tinha essa visão. Temos, pois, o ADN da sustentabilidade e ele é traduzido em diferentes áreas no Centro. Olhamos para a sustentabilidade com uma visão larga, não nos limitando a questões como a energia, a reciclagem ou produtos mais rentáveis, mas incidindo na sua vertente social e humana. Estamos a trabalhar na criação de um doutoramento em Engenharia Sustentável, na área da Engenharia Mecânica, alinhado com os atuais problemas sociais. Uma formação virada para o século XXI, em que a sustentabilidade tem de estar sempre presente.


Um outro desafio está ligado com a digitalização: a Inteligência Artificial. Que tipo de apoio poderá o centro dar às empresas nesta questão?

A Inteligência Artificial tem muitas vertentes. É uma questão de as empresas nos abordarem com as suas dúvidas e necessidades. Temos, entre nós, pessoas com várias valências e experiência em diferentes áreas. Em equipa, conseguiremos encontrar os melhores caminhos.


A quantidade de empresas que, neste momento, trabalham convosco representam um número satisfatório para si?

Neste momento, com estas cinco agendas mobilizadoras e todo o conjunto de outros projetos e ações, penso que temos um contacto muito grande com muitas empresas. Diria que é sempre bom aumentar o número, naturalmente. Por exemplo, gostaríamos de desenvolver mais o trabalho com as jovens empresas, as startups. Seria muito interessante ter uma colaboração maior com as pequenas empresas para que estas possam, com a nossa ajuda, solucionar alguns desafios, incrementar novos processos ou áreas. Por vezes, essas empresas têm ideias muito boas. A colaboração poderá fazer uma enorme diferença. Já iniciámos este processo e estamos a procurar ligar-nos mais a essas empresas.


Que marca pessoal gostaria de deixar neste Centro, enquanto diretor?

Nunca pensei muito nisso. Procuro ser tranquilo no dia a dia e ir-me assegurando que as coisas vão acontecendo. Muito importante para mim é que as pessoas gostem de cá estar, que gostem do trabalho aqui desenvolvido e que os projetos corram bem. Quero, tal como o meu antecessor, dar as melhores condições possíveis a quem trabalha aqui. Se o Centro fizer um bom trabalho, as coisas acontecem, os projetos vão aumentar e as empresas terão um bom parceiro na resolução dos seus desafios. Ora, as coisas têm corrido bem. Por isso, penso nos próximos anos numa lógica de continuidade.