Lean Management Bootcamp pretende aproximar operação e gestão na indústria portuguesa
Evento promovido pela ASBastos Consultoria reúne líderes industri (...)
27 Maio 2026
10 Agosto 2021
Existe uma clara necessidade da indústria portuguesa para desenvolver superfícies com carácter multifuncional. A engenharia de superfícies, nomeadamente com o desenvolvimento de revestimentos técnicos avançados, pode ser considerada um elo entre vários sectores, como por exemplo, automóvel, aeronáutica, ferramentas e moldes. Essas modificações superficiais podem prolongar o tempo de vida de componentes e ferramentas utilizados por estes sectores ou fornecer aos produtos propriedades inexistentes em materiais. Poderão também promover um aumento do seu desempenho para aplicações específicas.
Com o objetivo de solucionar esses problemas surgiu o projeto On-Surf, um projeto mobilizador que envolve empresas nacionais e entidades I&D. O projeto On-Surf é dividido fundamentalmente em quatro projetos parciais (PPS) relacionados com atividade I&D e está focado na engenharia de superfícies aplicada em diferentes áreas tais como Design, Automóvel, Saúde, Alimentação, Casa, Moldes, entre outros.
A PPS3 tem como objetivo o estudo de sistemas multifuncionais, como o desenvolvimento de superfícies com carácter antiaderente para a indústria de moldes, farmacêutica e o fabrico de revestimentos decorativos com propriedades antimicrobianas.
Um dos processos selecionados para a produção de superfícies antiaderentes foi a anodização, já que pode conferir um comportamento omnifóbico de metais, sendo um método simples, reprodutível, relativamente barato e dimensionável para aplicações industriais. A anodização permite controlar a molhabilidade de aços (material base de punções usados na indústria farmacêutica), introduzindo alterações químicas e morfológicas. O objetivo principal desta primeira aproximação foi a produção de superfícies nanoestruturadas com diferentes energias de superfície (ES) para um controlo do carácter antiaderente das superfícies dos aços a várias formulações farmacêuticas, químicas e alimentares, tais como ibuprofeno, carvão ativado, vitamina C, edulcorante e fertilizante.
O processo de anodização baseia-se na aplicação de uma diferença de potencial entre o ânodo e o cátodo. Nessas duas superfícies ocorrem duas reações químicas: a oxidação do metal que ocorre no ânodo e a redução no cátodo. A reação destes elementos forma um filme de óxido na superfície do metal que está a ser tratado [1]. A formação da camada superficial de óxido pode ser controlada por diferentes parâmetros, tais como, a concentração e composição do meio eletrolítico, o potencial aplicado, o tempo de anodização e a temperatura do processo. Para a anodização dos aços (nove aços diferentes) foi utilizada uma solução básica como eletrólito (50% w/w NaOH), variando-se o potencial aplicado entre 2 V e 2.5 V, e utilizadas diferentes amostras de aço polidas que funcionaram como ânodos. Para o cátodo foi utilizada uma barra de carbono e os parâmetros de tempo e temperatura da anodização foram mantidos constantes (10min à temperatura ambiente).
Foram preparadas e caracterizadas as diferentes amostras de aços, medindo as rugosidades (perfilómetro), a sua morfologia (SEM) e composição química (EDS). Os valores de ES foram obtidos através da medição dos ângulos de contacto de vários líquidos com diferentes polaridades utilizando o método Owens, Wendt, Rabel and Kaelble [2, 3].
Após a anodização, as amostras de aço dos punções (ferramentas de compressão de precisão) foram caracterizadas por SEM com o objetivo de observar a sua morfologia (Figura 1).
Foi possível observar as linhas de polimento alinhadas na amostra polida. Já na amostra anodizada, verificou-se a uniformização da superfície com a criação de poros e precipitados homogeneamente distribuídos. Observou-se que, com o aumento da voltagem de 2 para 2.5 V, se aumentou a rugosidade das amostras em 10%. A modificação da morfologia e textura numa superfície (ex., sulcos e pilares) pode alterar a ES devido à influência direta na hidrofobicidade e oleofobicidade. Neste caso, o aumento do potencial diminuiu os valores de ES para a maioria dos aços em estudo (seis dos nove aços estudados). Contudo, para três deles, o comportamento foi o oposto, i.e., verificou-se um aumento da ES com o aumento do potencial. Isto deve-se principalmente às diferentes composições dos aços em estudo.