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Gestão de Pessoas

JDD: Pessoas são fundamentais para o desafio da inovação

15 Novembro 2022

“A inovação nos moldes tem que ver com o serviço que se faz, mas também com a digitalização e automação da indústria”. Quem o defende é Hugo Pinto, da JDD, para quem estas duas vertentes, consubstanciadas no que é a indústria 4.0, têm como finalidades a “melhor gestão de projeto e planeamento” e “a maior intercomunicação com o cliente final”. No seu entender, “é por aqui que a indústria caminha”.


Para alcançar este desafio, “são necessárias competências” que só as pessoas garantem. “Precisamos de pessoas com capacidade para lidar bem com softwares, mas também na questão da gestão de conflitos, capacidade técnica e comunicação”, defende, considerando que só com esta resposta as empresas conseguem inovar.


“Tentamos fazer sempre melhor do que fazemos hoje, evoluir nas tarefas e na forma como trabalhamos e nos organizamos”, adianta, considerando que isso só é possível de alcançar com equipas integradas e alinhadas. “A empresa que não faça isto não é competitiva e, por isso, o seu futuro estará ameaçado”, afirma ainda.


No caso da sua empresa, diz, “todos os departamentos têm o desafio dentro da empresa (e fora) de ter essa valência e, com ela, satisfazer o cliente com o qual comunicamos permanentemente”. Exemplifica com o caso da indústria automóvel que, explica, “exige maior integração com o cliente”. E essa exigência tem de ser satisfeita. Com as tecnologias, o cliente consegue aceder a tudo o que necessita, mas são as pessoas quem faz o acompanhamento das suas necessidades.


// Hugo Pinto (JDD)


Para Hugo Pinto, a “diferença entre inovação e investigação é que a segunda não existe na indústria de moldes”. “As coisas já foram inventadas há muito tempo, não há nada de novo para inventar nesta indústria. O que é preciso é oferecer serviço, com pessoas competentes e boa comunicação, que permita dar resposta às necessidades dos clientes”, defende.


“É preciso evoluir constantemente na comunicação”, sublinha, considerando que isso “tem sido feito nos últimos anos, mas é preciso continuar a estimular”. Tecnologias como o fabrico aditivo são, na sua opinião, serviços complementares à essência do sector que é o fabrico do molde.


“O projeto de desenvolvimento tem de estar mais interligado com o cliente. Estes serviços, como a impressão 3D ou robotização, são incorporadas no processo de fabrico, mas não alteram o produto final que é o molde”, explica.


Ou seja, as empresas de moldes podem oferecer vários serviços em função das necessidades. Mas o produto final é sempre o mesmo: o molde. E é nele que têm de concentrar a sua atenção. E para isso, a digitalização e automação são questões essenciais nas empresas. Tanto mais que ajudam as pessoas no seu trabalho do dia a dia. E melhoram a qualidade do resultado final.


“Temos células robotizadas, com setups muito rápidos, softwares de gestão, investimentos grandes, e bem aceites pelas pessoas. A gestão da informação está disponível online para toda a gente”, exemplifica, considerando que tudo isto, em conjunto, melhora o processo produtivo. No caso das máquinas, por exemplo, “antes destas alterações, conseguíamos 10 ou 12 horas, agora conseguimos 20 horas seguidas”. Com isto, o processo tornou-se mais rentável, sublinha. Mas para que seja colocado em prática, o papel das pessoas é imprescindível.


A empresa, conta, tem parcerias estabelecidas desde sempre com escolas e centros de saber. “Os profissionais qualificados vamos buscar às escolas profissionais e universidades, com as quais temos protocolos de estágios. Os jovens fazem estágio e, se forem bons, fazemos contratos e eles ficam connosco”. Esta metodologia, acrescenta, “tem funcionado bem”. “A nova geração satisfaz aquilo que esperamos. Temos tido bons resultados”, acrescenta.


Nem todos os estagiários ficam porque nem todos desenvolvem o gosto pela indústria. E para ajudar as empresas a crescer é fundamental, na sua opinião, que este exista. “Há sempre pessoas que nascem com gosto pela indústria e essas são inseridas na estrutura”, diz.


Além disso, há um conjunto de competências que a empresa valoriza no momento de recrutar e integrar. “Valorizamos as características de raciocínio, organização, responsabilidade e o gosto pelo trabalho em equipa. Mais até do que outras mais características mais profissionais, estas parecem-nos essenciais”, explica, considerando que “o mundo evolui tecnologicamente, mas estas características de relacionamento entre pessoas vão ser transversais no tempo e nada substitui isso”.


Para Hugo Pinto, a diferença entre as empresas faz-se pelas pessoas. “No passado, havia o orgulho do ‘saber fazer’, mas não se cultivava uma relação de proximidade com a empresa. Agora, as pessoas são parte da estrutura. Ou seja, a empresa é de todos e todos contribuem para o seu futuro”. Por isso, considera, “é fundamental ter pessoas motivadas. A competência emocional vai perdurar no tempo. Não há nada, nem os robôs, a substituir a importância das pessoas nas empresas”.