25 Líderes revelam o destino da Indústria Automóvel em 2030
Por ocasião do 70.º aniversário da prestigiada publicação "Automobil Industrie", 25 líderes do secto (...)
18 Fevereiro 2026
18 Fevereiro 2026
Por ocasião do 70.º aniversário da prestigiada publicação "Automobil Industrie", 25 líderes do sector — entre CEOs de fabricantes (OEMs), fornecedores e consultores — revelam as suas previsões para a próxima década. O consenso aponta para uma transformação radical: o carro mecânico dá lugar a um "computador sobre rodas", enquanto o centro de gravidade da produção se desloca para fora da Alemanha.
O futuro da indústria automóvel alemã em 2030 será definido por uma divisão: o triunfo do software e da engenharia de ponta versus a perda de relevância da Alemanha como local de fabrico físico. No âmbito das celebrações do seu aniversário, a revista Automobil Industrie questionou as figuras de proa do sector sobre o papel que a maior economia da Europa desempenhará no final da década.
As conclusões revelam um sector que, embora confiante na sua capacidade de inovação, enfrenta a ameaça sem precedentes da concorrência chinesa e custos de produção internos asfixiantes.
Estratégia e Liderança
Thomas Schäfer (Volkswagen)
Reafirma que a Alemanha continuará a ser um local competitivo para o fabrico de veículos. A estratégia "Volkswagen Boost 2030" é o pilar para manter a marca como o fabricante de volume tecnologicamente líder, definindo padrões globais.
Milan Nedeljkovic (BMW)
Sublinha a competência única e a "profunda paixão" pela cultura automóvel na Alemanha. Para o sucesso a longo prazo, exige um foco total em áreas de futuro sem os impedimentos de regulações restritivas.
Geoffrey Bouquot (Audi)
Antecipa que a Alemanha será o "benchmark" global para excelência técnica e sustentabilidade, com as inovações em IA e mobilidade definida por software a influenciarem tanto o mercado ocidental como o oriental.
Florian Hüttl (Opel)
Reconhece os desafios pesados: eletrificação, custos energéticos e novos rivais chineses. Contudo, confia no espírito pioneiro dos intervenientes alemães para encontrar soluções rápidas.
O Salto Tecnológico
Markus Heyn (Bosch)
A mobilidade entrou na era do software. O veículo transforma-se num assistente pessoal que aprende via IA. Heyn compara esta mudança à evolução do rádio para a playlist personalizada: o condutor já não aceita especificações rígidas, quer preferências individuais.
Markus Wambach (MHP)
O carro é agora um "computador rolante" continuamente atualizável. Wambach alerta para a velocidade extrema das empresas chinesas e dos atores de Silicon Valley, instando a Alemanha a ter coragem para parcerias fora das fronteiras tradicionais.
Jörg Ohlsen (Cognizant Mobility)
Prevê uma mudança radical nas cadeias de valor. Espera que os fabricantes alemães se unam em torno de arquiteturas E/E (elétricas/eletrónicas) sólidas e serviços digitais sem falhas.
Robert Morgner (ASAP)
Identifica o "Software-Defined Vehicle" e a automação como os únicos trunfos para manter a vantagem tecnológica de forma eficiente.
Flexibilidade e Resiliência
Mario Metzger (Arnold Umformtechnik)
A indústria não vai desaparecer, vai reinventar-se. A perfeição mecânica dá lugar a conceitos de mobilidade holísticos que unem ecologia e tecnologia. O sucesso dependerá de redes de produção flexíveis e processos digitais para dominar mercados voláteis e riscos geopolíticos.
Matthias Zink (Schaeffler)
Afirma que, após o ponto mais baixo, o sector está no caminho certo. Contudo, avisa que virtudes como "diligência" e "foco no cliente" são cruciais para enfrentar a competição sem precedentes da China.
Arnd Franz (Mahle)
A eletrificação e a digitalização são os motores da mudança. A Mahle foca-se em tecnologias de propulsão sustentável para manter a indústria alemã como o motor da transformação mundial.
Mathias Miedreich (ZF)
Com 140 anos de história, a indústria automóvel alemã provou ser mestre na autoinvenção e continuará a ser o tema central da cobertura jornalística nos próximos anos.
Desindustrialização e Política
Bernd Welzel (European High-Tech Pavilion)
Apresenta a visão mais dura — a indústria terá cada vez menos presença física na Alemanha. Além dos custos energéticos e laborais, Welzel aponta a falta de motivação laboral interna e o "emaranhado regulatório" europeu como travões. Sugere que as marcas se foquem mais no cliente global e menos na política europeia.
Jan Dannenberg (Berylls)
Embora a indústria mantenha importância económica interna, o seu peso global diminuirá. "A era dos fabricantes asiático-chineses começou."
Holger Schwab (Valeo)
Otimista, acredita na sobrevivência de "excelentes carros alemães", mas exige uma política "Pró-Europa", com menos burocracia e processos de aprovação mais céleres.
Stefan Krug (Brose)
Propõe uma mudança de mentalidade: ser mais audaz nas decisões e parcerias. Para competir com os OEMs chineses, defende uma política de financiamento neutra em termos tecnológicos.
Consultoria e Engenharia
Peter Fintl (Capgemini Engineering)
O sucesso virá de colaborações inteligentes com gigantes de chips, fornecedores de cloud e startups. A transformação é a "maior oportunidade desde a invenção do automóvel".
Harald Keller (EDAG)
A inovação não tem fronteiras. Se a Alemanha mantiver a abertura para plataformas partilhadas e colaboração transfronteiriça, continuará a marcar o ritmo.
Rainer Kurek (AMC)
A era da "multimobilidade" em cidades verdes tornará o crescimento local difícil. A força da indústria em 2030 dependerá exclusivamente do seu poder de inovação estratégica.
Tino Glatzel (Akkodis)
Prevê ciclos de desenvolvimento muito mais curtos, onde a força alemã residirá na fusão da engenharia clássica com soluções digitais.
A Dimensão Humana e Industrial
Hildegard Müller (VDA)
Recorda que a indústria é o garante da prosperidade alemã, com 727 mil empregos diretos. O objetivo para 2030 é manter o estatuto de "sector mais importante do país", apoiado pela confiança de 87% dos cidadãos.
Matthias Kratzsch (Hirschvogel)
Apela à união de esforços entre fabricantes, fornecedores e políticos para navegar na transformação estrutural sem atrasos.
Andreas Fink (Bertrandt)
Garante que o sector automóvel está no DNA da engenharia mundial e que novas tecnologias serão integradas de forma fluida nos processos.
Arndt Kirchhoff (Kirchhoff Automotive)
A manutenção da liderança, especialmente no segmento Premium, está garantida — desde que o ritmo de investimento em I&D não abrande.
Philipp von Hirschheydt (Aumovio)
Reitera que a substância industrial da Alemanha dá todas as hipóteses de liderar na mobilidade autónoma.
Craig Piersma (Gentex)
Deixa um aviso final — as marcas devem focar-se em tecnologias que melhorem a experiência real de quem conduz, e não apenas no cumprimento de requisitos legais.
Charlie Cai (Preh)
Com mais de 100 anos de história, a Preh e a indústria alemã provaram ser resilientes. O foco agora deve estar na aceleração de processos de inovação em HMI (Interface Homem-Máquina).
O Futuro: Sustentabilidade e Colaboração
Para a Audi, BMW e ZF, a transição elétrica alemã assenta em dois pilares: tradição e uma rede de fornecedores sem paralelo. Mas há um aviso comum à classe política: a Alemanha só conseguirá travar o domínio de Pequim e Silicon Valley se libertar a indústria do peso da burocracia e adotar uma estratégia de inovação sem restrições tecnológicas.
fonte: all-about-industries.com