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Mercados

Webinar revela potencialidades do mercado do México

28 Maio 2021

“O México é um lugar de muitas oportunidades, com um potencial de crescimento muito grande”, no qual os moldes são uma fatia importante. O sector representa cerca de 12 mil milhões de dólares naquele país e, por ano, são produzidos mais de cinco mil moldes. A revelação foi feita por Eduardo Medrano, presidente da Asociación Mexicana de Manufactura de Moldes y Troqueles (AMMMT), no decorrer do webinar ‘Oportunidades de internacionalização no México para o Setor dos Moldes’ que, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Mexicana (CCILM), teve lugar no dia 27 de maio.

De acordo com os dados apresentados, o México registou, em 2019, um saldo da balança comercial de mais de 5 mil milhões de dólares. Nas importações do país, os moldes representam um valor importante, destacou ainda o responsável da associação mexicana, adiantando que se trata de um mercado muito interessante para a indústria portuguesa. E pode ser ainda maior, salientou, quando ficarem definidos alguns aspetos do Acordo Comercial entre os Estados Unidos, o México e o Canadá. “A proximidade com os Estados Unidos será uma enorme vantagem e vai haver grande necessidade de moldes. No nosso país, esta indústria vai-se tornando robusta, mas ainda não tem a capacidade que é preciso. Portugal pode ser, neste ponto, um parceiro estratégico”, sublinhou ainda Eduardo Medrano.


Explicando que os produtores portugueses podem entrar no país juntando-se com produtores locais ou em negociações diretas com as OEM, lembrou que ali estão presentes os maiores produtores mundiais de automóveis e que o país ocupa a sétima posição no ranking dos fabricantes de automóveis ligeiros. Para além desta indústria, frisou, outros sectores, como o aeronáutico, de dispositivos médicos ou ramo alimentar, têm também uma relevância interessante.



Crescimento

Já Luis Rossano, da ‘Blue Quark Group’, considerou que aquilo que falta no país são “recursos humanos qualificados” na área dos moldes, defendendo que, até por isso, Portugal pode ter um papel importante. “É reconhecido o engenho técnico português”, afirmou. Contou que tem, na sua empresa, um parceiro português e que isso confere ao serviço que prestam “qualidade, técnica e compromisso”. Referiu ainda que 65% da produção da empresa é desenvolvida no México e o restante em Portugal, advertindo que a indústria europeia tem, no México, “uma oportunidade de crescimento muito grande”.


Salientando que o mercado mexicano representa cerca de 3% das exportações de moldes portugueses, João Faustino, presidente da CEFAMOL, manifestou “a vontade” que os fabricantes nacionais e a associação têm de “aumentar a presença no país”. Entre 2015-2017, contou, registou-se um crescimento de exportações de moldes para aquele mercado. Mas logo depois, esse valor decresceu, voltando a registar uma ligeira subida em 2020. “Estamos muito envolvidos na indústria automóvel e temos todo o interesse em integrar um dos seus principais players, que é o México”, afirmou.


Referiu o investimento de várias empresas do sector do mercado, atuando inclusive em consórcio, como exemplos da estratégia portuguesa de implantação no México. Também a formação de técnicos locais foi referida como forma de atuação das empresas nacionais para colmatar as necessidades sentidas localmente.


Considerando que se trata de um mercado com muitas oportunidades, destacou que a CEFAMOL tem desenvolvido as mais variadas ações de promoção dos moldes portugueses, de forma a desenvolver contactos e aumentar a presença dos fabricantes portugueses no país e que tal será continuado através de ações já previstas para 2022.


O grupo GLN é um dos exemplos e, por isso, José Carlos Gomes, partilhou a sua experiência que começou há cinco anos naquele país. A grande dimensão do mercado e a falta de capacidade de intervenção local em moldes técnicos, foram duas das razões que levaram o grupo a decidir investir no México. Começou com a prestação de serviço aos moldes e hoje tem ali uma fábrica de moldes e injeção de plásticos.



Formação

Um dos maiores desafios, contou, tem sido a questão dos recursos humanos. “O mercado tem de formar técnicos nesta área”, defendeu, contando que, no caso do grupo GLN, as pessoas são formadas na empresa. “É preciso resiliência e uma aposta nos projetos a médio/longo prazo, de forma a conquistar confiança”, considerou.


Miguel Gomes da Costa, presidente da CCILM, explicou que este webinar, inserido no projeto ‘Portugal Connect’, teve como objetivo reforçar o processo de internacionalização das empresas portuguesas no mercado mexicano, principalmente nos sectores dos moldes, máquinas e ferramentas indústria e plástico.


“Acreditamos que com o conjunto de ações que estamos a desenvolver, conseguiremos, até final de 2022, tornar mais conhecida no México a tecnologia e as capacidades da indústria portuguesa”, explicou. Nesse sentido, destacou algumas atividades que serão desenvolvidas, como a participação em feiras ou a realização de missões empresariais entre empresários dos dois países.


Por seu turno, Luís Castro e Almeida, do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria em Portugal, explicou que a instituição tem um serviço de apoio à internacionalização das empresas intitulado Global Coordinators.


O webinar contou com uma plateia virtual composta por mais de meia centena de pessoas, a maioria representando a indústria portuguesa de moldes.