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O declínio da inovação europeia

01 Junho 2021

Apple, Samsung, Alphabet, Alibaba, Amazon, Tencent, TSMC: estas são algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo e têm uma coisa em comum nenhuma delas é europeia. Embora a UE seja a segunda maior economia do mundo - atrás dos EUA em termos nominais, e da China, em relação à paridade de poder de compra – a Europa já não é vista como uma potência tecnológica. Para que recupere o seu lugar de ator principal, é necessária uma ação política mais musculada. O investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D), a base que sustenta o progresso tecnológico, tem diminuído na UE de forma relativa face aos principais blocos/países. Em 2000, a UE alocou 1,67% do seu PIB para I&D, quase o dobro da China (0,89%) nesse ano. Porém, em 2018 a China gastou 2,14% do seu PIB em I&D, os EUA 2,83%, o Japão 3,3%, Coreia 4,5% e UE apenas 2,03% (OCDE, 2021).


Mas aumentar simplesmente a despesa de I&D não vai resolver o problema e recuperar o domínio tecnológico. Complementarmente, as atitudes culturais em relação ao risco precisam de ser desafiadas e as estruturas regulatórias devem ser reformadas, caso seja demonstrado que estas sufocam a inovação. Infelizmente, mesmo isto pode não ser suficiente, pois o problema de negligenciar a I&D e Inovação é que, uma vez que se “perde o comboio”, é cada vez mais difícil acompanhar os líderes, dada a natureza cumulativa da inovação, o facto de estes dominarem e protegerem as suas tecnologias e de as grandes empresas criarem barreiras à entrada, capturando o espaço de mercado e a notoriedade junto dos consumidores.


Em todo o caso, a UE não é, na verdade, totalmente homogénea, mantendo a liderança mundial em sectores como a produção automóvel, petroquímica e serviços financeiros, farmacêutica, etc. No entanto, não tem sido capaz de competir com os EUA ou a China quando se trata de indústrias digitais disruptivas. Nenhuma das atuais 15 maiores empresas digitais do mundo é europeia, e os Estados Unidos devem gastar 175% mais em desenvolvimento de TI do que a Europa Ocidental entre 2018 e 2022, alertou a empresa de inteligência de mercado (IDC, 2020).


É claro que a Europa ainda tem várias empresas de tecnologia que desempenham um importante papel global. Empresas como a Siemens, Accenture ou mesmo Capgemini reinventaram-se, de diferentes formas no mundo tecnológico. Dados produzidos pelo “think tank” - “Tornando a Europa o Continente Mais Empreendedor” - colocavam em 2020, o valor das empresas europeias de tecnologia em €618 biliões. Em 2020, o valor das empresas euro peias de tecnologia aumentou 46%, embora o maior salto tenha ocorrido entre 2015 e o início de janeiro de 2020. Em outubro de 2020, um terço do valor combinado das empresas baseava-se nas dez principais empresas de tecnologia da Europa: Adyen, BioNtech, Delivery Hero, Klarna, Spotify, Ocado, HelloFresh, Takeaway.com, UiPath e Zalando.


A mesma pesquisa constatou que existiam dois milhões de empregados na área de tecnologia, um aumento de 43% em relação aos números de 2016 e 73% dos empregos europeus em tecnologia são gerados por mais de 4900 start-ups. Estes parecem ser dados empolgantes, mas não podemos esquecer que no final de 2020 a Apple valia mais de $2,2 triliões, a Microsoft $1,68 triliões e a Amazon $1,6 triliões e a Google $1,18 triliões, o que significa que as quatro maiores empresas de tecnologia do mundo valiam dez vezes mais do que todo o sector de tecnologia na Europa. E mesmo as empresas europeias de tecnologia com avaliações mais altas dificilmente podem ser consideradas disruptivas - o relatório de 2019 do Banco Europeu de Investimento considerava que apenas 8% das empresas na UE são classificadas como ‘inovadores líderes’. Nos Estados Unidos, esse número é duas vezes maior.


Várias razões podem ser encontradas para justificar este problema.


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