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Fórum TECH-i9: Design deve contemplar todas as fases de produção e a logística

08 Julho 2021

Quanto mais abrangente for a conceção de um produto – tendo em conta todo o seu desenvolvimento, desde a produção à logística – melhores os resultados, seja na qualidade, seja na redução de custos. Esta foi uma das principais conclusões do webinarDesign for Manufacturing’ que, organizado pela CEFAMOL no âmbito do programa do Fórum TECH-i9, decorreu no dia 7 julho, contando com mais de 70 profissionais da indústria na assistência ‘virtual’.


Coube a João Magrinho, do CENTIMFE, fazer a introdução ao tema. Salientou, logo à partida, que as metodologias de design for manufacturing asseguram uma redução de custo do produto, que pode oscilar entre 4 a 40%. E isto porque a partir do momento em que todo o conceito do produto está desenvolvido, incluindo a sua produção e montagem, “70% dos custos já estão determinados”.


O grande desafio, salientou, é conseguir aplicar esta metodologia no início do processo, garantindo, por um lado, uma boa produção e, por outro, simplificando o processo produtivo. Com este procedimento afinado, enfatizou, é possível alcançar ganhos como a redução de custos, a qualidade, a redução do ‘time to market’, bem como no número de fornecedores e ainda a diminuição do impacto ambiental, valorizando a sustentabilidade.


Para incrementar a metodologia, sugeriu a criação de uma boa planificação, através de checklists e guidelines, salientando também a importância de alguns softwares, sejam de estudos reológicos, sejam específicos para a produção e montagem.


Dividiu também o design for manufacturing em dois pilares: o design para a produção e o design para a montagem. Os dois juntos, sublinhou, conseguem gerar poupança. Esta é, no seu entender, uma metodologia que, bem aplicada, é um apoio no sucesso das empresas.



Agregar sectores

Após esta intervenção inicial e tendo como moderador António Pontes, da Universidade do Minho, teve lugar o espaço de debate, que contou com a participação das empresas Simoldes, WeAdd e Bosch Portugal.


Para Pedro Resende, da Simoldes, “o impacto do design for manufacturing é muito grande, sobretudo na redução de custos e no ‘time to market’, bem como no que é o tempo do cliente”.


Destacou que para que esta metodologia funcione, as interações entre sectores “são fundamentais”. Exemplificou com o caso da Simoldes, explicando que na conceção de um novo produto está implícito “agregar os sectores dos moldes e plásticos na discussão”.


A criação, defendeu, deve contemplar todas as fases de produção, com a montagem incluída, destacando que “o compromisso tem de ser entre todos”, de forma a “garantir a fiabilidade da peça e o funcionamento do molde”. No seu entender, a simplificação e redução dos timings são, atualmente, questões fundamentais e para as alcançar é preciso “uma estratégia, com a multidisciplinaridade da equipa em evidência”.


Nesse sentido, apontou como exemplo que a empresa tem criada uma ‘academia’, o que permite que cada novo elemento que entra possa receber formação multidisciplinar. Para além disso, salientou, há interação entre os sectores, de forma que quem faz parte da conceção esteja atualizado em relação às ferramentas e às tecnologias.


Já Daniel Caramelo, da WeAdd, apresentou o que é, para si, a definição correta de processo e que, para além do fabrico e da montagem, integra também a logística. Ou seja, quem cria um produto tem de pensar também em questões como o seu transporte ou como o produto vai ser apresentado ao consumidor.


“Na nossa conceção, temos sempre em conta todas estas etapas que consideramos serem tão importantes como a ergonomia e outras”, enfatizou. Desta forma, com o design orientado para a produção, consegue-se que, de forma mais rápida e mais fácil consiga chegar ao mercado e ao menor custo.


Chamou ainda a atenção para a importância da prototipagem em todo este processo, salientando o quanto apoia, seja “na antevisão do que pode ser um problema”, seja para “para tirar dúvidas”.


Pedro Bernardo, da Bosch, destacou que a metodologia de design for manufacturing “tem benefícios quando bem aplicada”, explicando que a sua empresa tem definidas “guidelines para a manufatura e a montagem” e que “recorre, muitas vezes, às tecnologias de manufatura aditiva, de forma a reduzir o time to market”. “Temos o design for manufacturing como boa prática”, frisou.


Um outro aspeto que acentuou foi a importância dos fornecedores de soluções. “Recebemos constantemente os fornecedores, de forma a estarmos atentos aos novos materiais e tecnologias”, contou. Mas, no seu entender, um papel fundamental nesta metodologia está reservado às escolas. Salientou o papel da academia que, sublinhou, “ajuda os fornecedores a desenvolver-se e alcançar o conhecimento para novos produtos”.


António Pontes acrescentou, neste assunto, o papel dos centros tecnológicos, como o CENTIMFE. João Magrinho chamou a atenção para a aposta que o centro faz em questões como, por exemplo, o bom conhecimento dos materiais.


O último dos webinares decorre no dia 8 de julho, tendo como tema ‘Sucessão Empresarial vs Fusões e Aquisições’.