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Estratégia & Negócios

MOLDEGAMA: «Os mercados ditam as regras e as empresas têm de se adequar»

12 Dezembro 2022

Os mercados são quem mais ordena. Silvério Fortes, da Moldegama, defende que para serem competitivas, as empresas têm de se adaptar às mudanças. “São os mercados quem dita as regras e nós, fabricantes, temos de nos adaptar se queremos progredir”, considera.


Lembrando que, com a pandemia “toda a economia estagnou muito”, conta que, no início de 2022, “começou a sentir-se uma enorme recuperação, com o negócio a chegar, em muitos casos, acima das nossas capacidades de resposta”. Ora, no seu entender, as empresas têm de estar preparadas para estas mudanças repentinas.


“Nos primeiros meses deste ano, as solicitações de serviços têm sido imensas. Isto faz com que, por exemplo, não consigamos manter algumas práticas que tradicionalmente tínhamos, como fechar a empresa em agosto para férias”, exemplifica, defendendo que “a prioridade é “manter a atividade para cumprir os prazos”. Mas os resultados, acentua, não têm acompanhado a dinâmica. Ou seja, “estamos a tentar que os preços sejam os justos, atendendo aos custos de produção”. No caso da Moldegama, o equilíbrio tem sido conseguido, mas, em alguns casos, de forma periclitante.


“O preço das matérias-primas tem estado sempre elevado, com mudanças, em alguns casos, a cada 24 horas”, explica, adiantando que isso obriga as empresas a “tomar decisões num ambiente muito instável”. Em alguns casos, exemplifica, os aumentos ascenderam a 40 %. Mas, no seu entendimento e após largas décadas de experiência no sector, considera que todas estas questões mais não são do que “o mercado a funcionar”. A dificuldade, salienta, é conseguir dar a resposta adequada.


Não esconde a preocupação que sente. “Estamos muito dependentes da indústria automóvel e não tenho dúvidas que a alternativa é encontrar outro mercado”, afirma, adiantando que a dificuldade é “saber qual será esse mercado”. É que, sustenta, uma mudança de mercado é algo que uma empresa não faz de um dia para o outro. "Criar uma alternativa implica definir e trilhar um novo caminho. É necessária uma adaptação muito grande para mudar e isso leva tempo”, explica, enfatizando que há depois, nesse processo de mudança, de ter em conta “a concorrência que existe e que poderá estar mais adiantada nesse novo mercado, já com passos dados, e levaremos tempo até ser competitivos”. Por isso, diz ser necessária “uma estratégia consistente e bem definida”, que possa levar até as empresas a conseguirem praticar outro tipo de preços.


Não tem dúvidas de que a mudança é essencial. Lembra, contudo, que, neste processo, as empresas têm de contar com algum apoio. “Ter apoio quando precisamos é fundamental. Mas, na prática, não temos apoios, exceto aquele que chega dos nossos fornecedores”, afirma.


Para Silvério Fortes, a evolução do negócio na indústria de moldes tem-se feito com cada vez mais e maiores exigências por parte dos clientes, seja nos prazos cada vez mais apertados, seja nos preços cada vez mais reduzidos. A solução, considera, tem de estar do lado dos fabricantes de moldes.


“A resposta das empresas tem de passar por uma aposta cada vez maior em pessoas com qualificação que garantam uma resposta rápida e eficaz”, defende, salientando que as empresas têm de ter a sua produção mais otimizada e preparada para corresponder aos anseios dos clientes, assegurando, ao mesmo tempo, a sua própria evolução.


Advoga que a indústria beneficiaria também se houvesse maior cooperação entre as empresas do sector. “Defendo que devia haver mais agremiação. Estamos a pensar e a falar de forma cada vez mais individual e a agir individualmente, quando devíamos fazê-lo de forma coletiva. Devíamos unir-nos mais”, considera, lembrando que, no passado, o sector conseguiu um espírito de cooperação que se revelou bastante positivo.


O afastamento, no seu ponto de vista, deveu-se à natural evolução da sociedade, que foi caminhando de forma mais individualista. No entanto, defende, “estamos sempre a tempo de recuperar essa cooperação”, até porque “sozinhos não conseguimos ir tão longe como quando o fazemos em conjunto”.


Para Silvério Fortes, a indústria deve continuar a apostar nos mais variados mercados. Com a guerra na Europa, considera, é natural que outras zonas do globo, como o México, se tornem ainda mais atrativas. “Continua a ser um mercado muito interessante, mas fica dispendioso porque é preciso investir em respostas no local”, afirma.


Por outro lado, e reportando-se ao caso da sua empresa, conta que a Rússia “era um bom mercado” até surgir a questão da guerra. A Europa “continua e continuará a ser o nosso mercado”. Conta ter notado, nestes últimos meses, que muitas empresas europeias se começaram a ressentir com a aposta que tinham feito na Ásia e começaram a tentar inverter esse rumo, apostando em fornecedores europeus.


“Considero que este é um sinal muito positivo. Vamos ver como evolui”, diz. Aponta ainda os Estados Unidos como uma boa possibilidade para os moldes nacionais, considerando, contudo, que, em muitos casos, os possíveis clientes americanos “procuram fornecedores com os preços da Ásia e nós não estamos, nem podemos estar, nesse patamar”. É que, defende, os moldes portugueses têm de continuar a “fortalecer a sua imagem enquanto produtores de grande qualidade”.


“Este é um trabalho que temos de fazer sempre: reforçar esta imagem, seguir esta linha e combater a ideia de que somos competitivos apenas pelo preço”, considera. Para tal, salienta, “temos de nos unir, de forma a trocar propostas e ideias entre nós”. É que, considera, “convergir é fundamental para chegar aos mercados de forma forte”. Para aí chegar, diz ser imperativo “conseguir mudar a cultura de algumas empresas para que percebam a grande vantagem que é a cooperação”.



// Silvério Fortes (Moldegama)